O povo de Deus, de forma geral, deixou a base da verdade do ÚNICO CORPO DE CRISTO, para então adotar e tolerar no seu meio o clericalismo, o ritualismo, o legalismo, o formalismo e as inúmeras denominações existentes hoje no mundo. Todavia, a única base na qual a unidade do Espírito pode ser preservada é a base do “um só corpo”. Esse é o fundamento de Deus (Efésios 4:3-6; 2 Tim. 2:19).
Há uma classe chamada “clero”, de onde surgiu o termo “clericalismo”, que tem o título e a autoridade espiritual sobre “leigos”. A raiz desta doutrina começou a se desenvolver na igreja primitiva (3 João v. 9). Diótrefes gostava de exercer a primazia e as obras dos “nicolaítas” transtornavam a igreja em Éfeso (Apo. 2:6). “Nicolaítas” significa “quem governa os leigos”. A igreja em Éfeso odiava estas obras, as quais o Senhor também odiava.
Contudo em Pérgamo este mal aumentou e foi aceito no seu meio (Apoc. 2:15). Uma pessoa cujas obras são incoerentes pode ser tolerado até um certo ponto, mas quando se forma uma doutrina para defender e justificar tais obras, então já é desobediência aberta do fundamento do “único corpo”. Isso é defraudar a autoridade do Espírito Santo na igreja.
O mesmo deve ser dito a respeito das igrejas locais que permitem a propagação de falsas doutrinas (2 João 9-11); associações impuras ou pecaminosas (2 Cor. 6:15-18); independência (1 Cor. 12:14-25); prática do mal (Judas 4); legalismo (Gal. 3:10-14); ritualismo (Gal. 4:10-11); denominacionalismo (1 Cor. 1:12-13), etc. Quando um grupo de pessoas quiser justificar isso como sendo bíblica, deixa a base do ÚNICO CORPO. A doutrina que proclama que cada Assembleia local é independente em sua constituição (um Corpo) e governo (um Cabeça), não sendo responsável ou não tendo um vínculo vital com outras Assembleias, é uma absoluta negação da verdadeira base do ÚNICO CORPO, porque o corpo compreende todos os santos.
O fato de serem “um só corpo” implica que os membros estejam todos ligados uns aos outros, fazendo supor que haja vida, dependência e responsabilidade pelo mútuo bem-estar. Satanás sempre vai atacar esta base (único corpo), e fará tudo em seu poder para tirar as almas dessa posição, ou impedir que se aproximem dela. A base ele não pode destruir, mas fazendo uso de todos os males (associação com o mal, clericalismo, legalismo, formalismo, etc.) procura atacar violentamente aquilo que não pode aniquilar.
Irmãos que se reúnem no Nome do Senhor creem na unidade da igreja, formada aqui na terra pelo Espírito Santo (Rom. 12:4-8; 1 Cor. 10:17; 12:12; Efe. 1:22-23; 2:16; 3:1-7; 4:1-16). A presença do Espírito Santo na Assembleia faz com que todos os redimidos por Cristo estejam trajados com a dignidade de um sacerdote (1 Pedro 2:9; Apo. 1:6). Reconhece, portanto, que o Espírito tem liberdade para atuar e dirigir todas as reuniões quando a igreja está congregada ao Nome do Senhor. Os que possuem algum dom do Espírito, exercitam este dom livremente em mútuo respeito e submissão aos outros (Rom. 12:5-8; Efe. 4:7-11).
Os que participam da Ceia do Senhor (aspecto da responsabilidade individual) e a Mesa do Senhor (aspecto da responsabilidade coletiva) estão indissoluvelmente ligados, ainda que reunidos em igrejas locais distintas. O pão que representa o corpo físico do Senhor é também o símbolo deste corpo alegórico, que é a igreja. Os irmãos que participam deste único pão são a expressão da unidade da igreja, tal como o pão em si mesmo o é também (1 Cor. 10:17).
Caso alguém que esteja em comunhão com a Assembleia, comunhão essa que se expressa pelo partir do pão, resolver partir o pão num lugar onde a unidade do corpo e a autoridade do Senhor não é considerada de forma prática, está sendo incoerente com o lugar que assumiu na Assembleia. Se, porventura, depois de ter sido advertido e exortado em amor, ainda perseverar neste procedimento, está evidenciado um espírito de independência e de vontade própria que não pode ser tolerado pela igreja local.
Assim, reunir-se ao Nome do Senhor implica, necessariamente, em reconhecer os direitos do Senhor, submissão à sua autoridade e obediência à sua Palavra (Mat. 18:20). Aos crentes não é concedida a liberdade de acolher alguém sem restrições à Mesa do Senhor. A participação em alguma “mesa” em que se presta culto significa estar em comunhão com todos os que ali participam (1 Cor. 10:14-22). Isto não quer dizer que todos que ali participam tenham os mesmos pontos de vista em todas as questões; porém, que são unânimes quanto àquilo que os une à “mesa do Senhor” e quanto ao que estão expressando ali.
Uma Assembleia perde o seu caráter de Assembleia Divina quando recusa purificar-se, tolerando o mal em seu meio ou ao permitir que esta responsabilidade repouse única e exclusivamente no indivíduo. A Igreja local somente pode ser considerada uma Congregação do Senhor quando se purifica do pecado e do mal existente no seu meio. As igrejas reunidas na base da unidade de um “só corpo” precisam, naturalmente, ter conhecimento uma das outras (ao menos dentro do mesmo país ou região), para poderem reconhecer-se mutuamente como estando sobre o mesmo terreno. É só assim que poderão usufruir juntas, dos dons que o Senhor deu para edificação de sua igreja, e poderão enviar cartas de recomendação, de comunhão e excomunhão umas às outras.
Quanto ao fato de alguns poderem se reunir como expressão de uma totalidade, e assim encontrar reconhecimento da parte de Deus, temos um notável ensinamento em Esdras 1:5: “todos aqueles cujo espírito Deus despertou” atentaram para a chamada operada por Deus e dirigida pelo rei Ciro da Pérsia. Embora fosse só 42.000 mil entre as centenas de milhares que ficaram entre as nações, estes foram considerados por Deus como sendo “Israel ” (Esdras 2:70). Nos pensamentos de Deus, o remanescente ocupa o lugar do povo em sua totalidade (Esdras 6:17).
Nesse aspecto (um só Corpo), existem alguns perigos que cercam aqueles que acreditam na total independência de cada igreja local. Suponhamos que numa determinada igreja local, o mal moral ou doutrinário é conhecido e tolerado pelos irmãos ali reunidos. Então essa igreja está contaminada (1 Cor. 5); e se uma outra igreja local recebe alguém proveniente de tal igreja, estando plenamente consciente da tolerância do mal ali, é uma atitude de neutralidade quanto a aceitação do mal e contamina também a igreja local.
Suponhamos que uma terceira igreja se recusa receber alguém da primeira igreja mencionada, não obstante, ficará contaminada pelo mal se participa da comunhão com a segunda igreja, tendo com ela comunhão com irmãos disciplinados ou contaminados pelo pecado, como no caso da primeira igreja referida. Cada uma das situações acima nega na prática a unidade do CORPO DE CRISTO, causando desordem na casa de Deus.
Todo aquele que consciente da existência de algum mal contaminante, assume uma atitude de neutralidade perante a situação, se contamina também. Os que se contaminam, seja intencionalmente ou não, mediante participação em atos de comunhão e adoração em uma mesa em que o mal ou o pecado é tolerado, o resultado, nesse caso, é que eles têm comunhão com o mal (Atos 15:20,29).
Portanto, as igrejas locais e todos aqueles que reconhecem o ensino das Escrituras a respeito da base ou fundamento do UM SÓ CORPO DE CRISTO, deve afastar de todo meio onde o pecado é tolerado ou praticado conscientemente, sob pena de também ficar contaminado pelo pecado e de contaminar a muitos.
A Unidade do Povo de Israel (Levítico 24:5-9):
Doze pães dispostos sobre a mesa de ouro diante do Senhor. Esta é a clara figura da unidade indissolúvel de Israel e, ao mesmo tempo, a perfeita distinção das doze tribos de Israel. Neste capítulo as palavras “perfeito, perpétua, continuamente” repete muitas vezes. Levítico 24 não menciona o fermento nestes pães, pois representa Cristo em imediata relação com as doze tribos de Israel.
As tribos de Israel estão dispersas entre as nações e perdidas para a visão humana. Porém o seu memorial está perante o Senhor (Atos 26:6-7). Não importa o quanto a nação de Israel está dispersa, ferida ou esmagada do ponto de vista humano, o que importa é que do ponto de vista de Deus e nos Seus Eternos Conselhos, segundo a perspectiva da fé, A IGREJA É UMA SÓ e indissolúvel.
As dez tribos estavam separadas das outras duas tribos, mas no monte Carmelo Elias vê aquela nação do ponto de vista de Deus. Assim como Balaão, Elias olha de cima para baixo, uma visão celestial, da forma como Deus nos vê em Cristo. Elias faz um altar de doze pedras, portanto, ele não escondeu essa verdade da unidade do povo de Israel, porque cria plenamente nela, mesmo num estado de ruína e divisão do povo.
O mesmo princípio nós temos hoje com relação a unidade da igreja. Se Elias não tivesse edificado o altar de doze pedras, o fogo de Deus não teria caído sobre o sacrifício. Aquele fogo era a expressão da aprovação Divina. Era como a glória do Senhor enchendo o antigo tabernáculo e o templo.
Veja o exemplo do rei Ezequias, homem piedoso, que “fez sacrifício por todo o Israel”. O sacrifício que deveria ser o fundamento de todas as esperanças da nação (2 Crôn. 29:24; 30:5-9). Ele procurou reunir o povo na base Divina (um único povo). Seus olhos estavam fitos no Deus de Abraão – em Jerusalém – e em toda a nação de Israel, como o único povo de Deus (2 Crôn. 30:10-11), então, vemos o resultado disso. Algumas pessoas se humilharam e vieram a Jerusalém (2 Crôn. 30:21:27), experimentaram uma benção tão rica que não foi experimentada nem nos dias de Salomão.
Outro exemplo foram as reformas realizadas em Israel pelo rei Josias (2 Crôn. 34 e 35). Ele ordenou que os levitas servissem o Senhor e, depois, todo o povo de Israel (2 Crôn. 34:33). Após Josias sentir em sua própria alma a poderosa ação da Palavra de Deus, ele procurou trazer as almas de seus irmãos sob a mesma influência poderosa (2 Crôn. 34:29-30). Então, veja o resultado: “Os israelitas que estavam presentes celebraram a Páscoa naquele dia… A Páscoa não havia sido celebrada dessa maneira em Israel desde os dias do profeta Samuel; e nenhum dos reis de Israel havia celebrado uma Páscoa como esta, como o fez Josias, com os sacerdotes, os levitas e todo o Judá e Israel…” (35:17-18).
Com relação a unidade, é importante notar a responsabilidade coletiva das doze tribos de Israel (Deut. 13:12-18). Israel é uma unidade: “Então, inquirirás, e informar-te-ás, e com diligência perguntaras; e eis que sendo esse negócio verdade, é certo que se fez uma tal abominação no meio de ti.” Aqui temos instruções de caráter mais solene, porque são baseadas numa verdade de valor inefável, e esta é a unidade nacional de Israel.
Supondo um caso de erro grave em algumas das cidades de Israel, podia suscitar-se, naturalmente a pergunta: TODAS as cidades de Israel hão de estar envolvidas no mal de uma delas? Com certeza, visto que a nação era uma só. As doze tribos de Israel estavam, indissoluvelmente, unidas aos doze pães na mesa de ouro do Santuário, que constituíam o formoso tipo da unidade de Israel.
As doze pedras no monte Carmelo mostram a todos a mesma grande verdade. Os nomes das doze tribos gravadas nas portas da santa Jerusalém, sede do centro da Glória de Deus e do Cordeiro (Apo. 21:12). Pergunta-se: onde está a unidade? Do mesmo modo como viram Elias, Ezequias, Josias ou Paulo. Todos viram a unidade do povo de Deus pela fé. A fé sempre procura e encontra justificativa para suas ações na Palavra de Deus. Daniel olhou para Jerusalém, e apesar de Jerusalém estar em ruínas, e o templo em cinzas, ele reconheceu ali como o centro da habitação de Deus (Daniel 6:10).
Mas alguns dos habitantes da cidade podia dizer: “que temos nós, tribos do Norte, com o erro ou o pecado das tribos do Sul? Isso não seria uma questão inteiramente local? Cada cidade não é responsável pela manutenção da verdade dentro das suas muralhas? Esse argumento negaria a unidade de Israel. A responsabilidade de inquirir e informar sobre o pecado e o mal era tanto no caso de Israel como no caso da igreja (Deut. 13:12-18).
Nós também temos a responsabilidade de inquirir, informar, perguntar, com toda diligência. “Tal abominação se cometeu?”, “a palavra ti” incluíam todas as cidades de Israel. O erro que era ensinado em Dã afetava os habitantes de Berseba, e assim por diante. Porque? Porque Israel era uma só nação.
Portanto, irmãos, somos obrigados a esquadrinha-la. Não podemos cruzar os braços, ficar indiferentes e neutros diante do pecado e do mal no nosso meio, do contrário seremos envolvidos nas terríveis consequências deste mal. Podemos estar certos que a indiferença em tudo quanto diz respeito a Cristo ou qualquer neutralidade com relação as coisas que se diz respeito a Cristo é detestável para Deus.
A honra e a glória de Cristo, o Cabeça da igreja, deve ser-nos mais caro do que tudo o mais nessa vida, e depois, segue a importância da grande verdade da unidade do seu corpo – a Igreja (1 Cor. 12:12-27). Porque todos nós fomos batizados em um só Espírito, formando um só “corpo”.
Para que não haja divisão no corpo, o crente já não pode considerar-se a si mesmo como uma pessoa independente, sem associação, sem nenhum vínculo essencial com outros. Se qualquer coisa não está bem com o pé, a mão sente-o. Como? Por meio do Cabeça (I Cor. 12:24-27).
Enfim, quando um homem pecou em Israel (Acã), o Senhor disse: “ISRAEL PECOU…” (Jos. 7:11a). E, por conta do pecado de um só homem, todo o povo de Israel sofreu uma terrível e humilhante derrota (Josué 7).
A Unidade Cristã (1 Cor. 12:12):
Em Atos 9 vemos o Senhor perguntando à Saulo no caminho de Jerusalém à Damasco: “porque me persegues? …Eu sou JESUS a quem tu persegues.” Como pode uma pessoa terrena, Saulo, perseguir Jesus de Nazaré que está assentado à destra do Pai na Glória Celestial?
Aqui temos um exemplo prático da UNIDADE DO CORPO DE CRISTO. Cristo e a Igreja (o seu povo) são um só. Em outras palavras, a cabeça é Cristo, o corpo é Cristo, os membros são Cristo. A unidade está sobre a terra hoje. O Cristo a quem Paulo perseguia foi manifestado na terra, pois Ele poderia ser perseguido e continua sendo perseguido até hoje. Após voltar ao Céu, Cristo nos enviou o Seu Espírito, que havia pousado sobre Ele como uma “pomba” e que agora pousou sobre cada crente em Crente no dia de Pentecostes, na forma de “línguas repartidas, como que de fogo…” (Atos 2:1-4), para assim formar o seu corpo. O corpo de Cristo está sobre a terra ainda hoje. O corpo é um, porém, são muitos membros que estão sobre a terra e é alvo de perseguição.
Em 1 Cor. 12:26 lemos que “se um membro sofre todos sofrem com ele”. Isso mostra claramente que o corpo de Cristo se refere a algo sobre a terra, pois somente na terra o corpo está sujeito a perseguição e sofrimento. Em João 17:21 o Senhor ora pela unidade da igreja na terra. Essa unidade deve levar o mundo a crer em Cristo. Os que creem são do mundo, logo, então, esta manifestação ocorre aqui no mundo.
Naturalmente, no futuro, todos os cristãos serão um no céu, mas hoje a unidade necessita ser praticada e, portanto, manifestada na terra. O que o Senhor demanda hoje é a unidade dos crentes na terra. A responsabilidade por essa unidade está sobre todos nós, o seu corpo. A unidade do corpo é a unidade da igreja. A unidade da igreja é limitada ao corpo e não pode ser estendida para além dele.
A Palavra de Deus nunca aprova unidade com crentes nominais. Crentes nominais ou a cristandade professa continuarão até a vinda do Senhor (Mateus 13:24-30). Hoje em dia, nas assim chamadas organizações cristãs, há grande multidões de não crentes no seu meio. Essas sociedades recebem não crentes (joio) na comunhão das suas “igrejas”. O Senhor, no entanto, permite que haja joio apenas no mundo. “O campo” na parábola é o mundo, e não a igreja (Mateus 13:38).
O Senhor não permite que “descrentes“ sejam recebidos na igreja. Na igreja deve haver separação, pois a igreja é composta de todos quantos possuem a Vida de Cristo. Essas pessoas são o Corpo de Cristo. Como consequência a unidade cristã inclui todos os filhos de Deus.
É uma questão de princípio. Se por princípio a igreja recebe alguém não salvo, não pode ser reconhecida como igreja. Receber alguém por princípio é diferente de receber alguém por engano. Se qualquer sociedade está disposta a receber pessoas sem procurar descobrir se são salvas ou não, essa sociedade já quebrou o princípio da unidade do corpo de Cristo. A igreja é o ajuntamento dos “chamados para fora”.
Se eu reunir com um desses grupos que recebem na comunhão crentes e descrentes eu devo sair do meio deles, e se eu sair não estarei quebrando a unidade cristã, pois tal grupo não possui essa unidade (2 Cor. 6:14-18). Não há divisão em qualquer outro grupo que não seja o corpo, pois qualquer outro grupo além do corpo é, em si mesmo, uma divisão. Quando alguém diz que uma determinada denominação dividiu isso não é verdade, pois ela já é uma divisão (1 Cor. 1:12-13; 3:3).
O que é uma facção? É algo que somente pode ser encontrado dentro da igreja. Em Corinto havia uma igreja, todos aqueles cristãos pertencia a igreja em Corinto. Mas quando alguém dizia “sou de Paulo” ou “sou de Apolo” era má a maneira como se portavam. Quando se reuniam, reuniam-se em partidos, fazendo acepção e distinção entre os irmãos, e isso é sectarismo. Uma acusação de ser sectarista somente pode ser feita na igreja. Fora da igreja, esse tipo de acusação não seria possível, pois não se pode cometer tal pecado em nenhum outro lugar. O sectarismo só pode ser cometido no contexto da igreja.
Gálatas 5:19-20 explica o que é partido, seita ou facção. É uma obra da carne. Permanecer em qualquer seita ou denominação, seja ela qual for, é obra da carne, tanto quanto adultério, idolatria, feitiçaria, etc. Saibam, portanto, que seitas ou heresias são destrutivas, trazidos por falsos mestres (1 Pedro 2:1).
A unidade precisa ser preservada. Como, então, devemos manter a unidade? (2 Cor. 6:17-18). Devemos rejeitar qualquer organização que inclua incrédulos na comunhão, pois isso não é igreja. Devemos, também, abandonar todas as seitas e denominações porque divide o corpo de Cristo, e, por fim, devemos julgar o pecado ou o mal no meio da igreja.
A base da unidade é o julgamento. Ao manter a unidade, contamos com a presença de Deus. Sem a presença de Deus tudo pode ser tolerado, mas com a presença de Deus, nenhum pecado pode ficar sem ser julgado. Se uma igreja tolera o pecado, nunca poderá manter a unidade prática na terra.
A unidade está baseada no abandono do pecado. As igrejas estão hoje divididas devido a muitos pecados tolerados no seu meio. Onde houver o pecado e o mal, haverá a tendência de existir separação. Onde o pecado for tolerado, haverá necessidade de um afastamento gradativo até a separação total, caso o pecado não seja tratado.
Um erro básico é assumir paciência e compreensão como base da unidade. A unidade baseia-se no abandono do pecado (1 João 1:7). Portanto, podemos dizer que comunhão é a base da unidade e que a comunhão está baseada em tratar e abandonar o pecado (2 Cor. 6:17-18). Deus fundamenta sua comunhão conosco no fato de sairmos do erro e separados do pecado. Ao reunir numa denominação ou ter comunhão com pessoas vivendo em pecado eu ganho afeição dos homens, mas perco a comunhão com Deus, pois divisão e pecado são obras da carne.
Devemos pagar o preço da unidade para se tornar um vaso de honra diante de Deus, é necessário purificar-se a si mesmo dos vasos de desonra (2 Tim. 2:20-21). Preciso me apartar do erro e das pessoas (vasos) que desonram o Nome do Senhor.
Em Êxodo 32:25-29 somente foram qualificados para serem levitas aqueles que desembainharam suas espadas e determinaram no coração permanecer do lado do Senhor, ainda que tivesse que sacrificar os próprios irmãos. Isso significa que um preço tem que ser pago para manter-se a unidade. A unidade não pode ser obtida demonstrando-se mais amor, compreensão ou humildade. A unidade não pode ser obtida sendo mais paciente e tolerando o mal no meio da igreja local. Não existe tal possibilidade, pois a base da unidade é o tratamento e o abandono do pecado. Tudo aquilo que peca contra a unidade dos cristãos deve ser lançado fora.
Hoje, os que estiverem desejosos de pagar o preço de abandonar a injustiça e de sacrificar o amor e afeição dos homens, também experimentarão a verdade da unidade do único corpo e Cristo como cabeça.
Se todos os irmãos e todas as igrejas locais se levantarem para julgar o pecado, a comunhão entre os irmãos seria uma realidade prática, resultando em bênçãos ilimitadas entre o povo de Deus. Seitas, divisões, facções, heresias e todo o mal seriam naturalmente lançadas fora e todos os filhos de Deus seriam um.
Portanto, a base da unidade não está em tolerar o pecado, mas sim em julga-lo!
(Adaptado)